Experiência e Expertise:
É disso que sua empresa precisa na hora de se comunicar bem com o mercado.

  • Fornecimento de Conteúdo Editorial
  • Desenvolvimento de Projetos
  • Pesquisa de Mercado
  • Material Impresso
  • Campanhas Publicitárias
  • Criação de Identidade Visual

As marcas profundas e duradouras da crise na economia

Taxa-Selic

No fim de abril, a “The Economist” cunhou, em um editorial, uma expressão para descrever o que restaria quando as restrições e bloqueios provocados pelo novo coronavírus fossem suspensos: “a economia de 90%”. Aquele era o pior momento da crise, com o PIB mundial caindo assustadores 20% no feriado da Semana Santa em relação ao que seria sem o efeito da covid-19, segundo cálculos da publicação.

Desde então, os governos suspenderam os bloqueios e economistas passaram a ver uma recuperação importante a partir do terceiro trimestre – algo como 7% ou mais para o PIB global na comparação com o segundo. Mas, passados seis meses, a segunda onda da pandemia machuca EUA e Europa novamente, com riscos crescentes para outras nações. A diferença agora é o advento do avanço das vacinas, que se torna um divisor de águas às perspectivas para a economia e os ativos financeiros.

Ainda ouvimos muito por aí a conclusão de que esta é a maior e mais severa crise desde 1929, superando, inclusive, a crise financeira que nasceu nos EUA em 2007/2008. Mas há argumentos que minoram a tese, ao menos no que diz respeito ao futuro pós-covid. Em outras palavras, trata-se do que mudará estruturalmente, já que isso sempre ocorre em grandes abalos econômicos.

Embora a economia global esteja operando a cerca de nove décimos de sua capacidade, segundo a “The Economist”, há muita variação entre países e regiões. O que pode realmente ser objeto de debate é a natureza desta crise, porque isso define os estragos e os ganhos que virão.

No mercado é comum ver destacado o embate entre o “spot growth” e o “forward growth”. No “spot” (atualmente), a segunda onda pode minar as expectativas anteriores de recuperação forte a partir do segundo semestre deste ano com a perda de ímpeto da atividade até pelo menos o primeiro trimestre de 2021. No “forward” (futuro), com a vacina operante, variáveis como produtividade de setores-chave e a tendência à desglobalização com a disparada do protecionismo farão a diferença.

O que parece ponto pacífico de estudiosos, como os de organismos multilaterais, acadêmicos e economistas de mercado, é que esta crise deixará marcas profundas e duradouras, até porque está mudando hábitos e a forma de trabalho. E que ao final desta década certamente não estaremos no lugar que estávamos antes da pandemia, já que dificilmente se retorna à tendência anterior nestes eventos. Ademais, crises vultosas afetam o potencial de oferta, deixando setores ociosos, derrubando investimentos, causando atrofia do mercado de trabalho e em competências dos trabalhadores, que acabam por reduzir a demanda. O resultado são anos de baixo crescimento e em uma tendência de expansão potencial mais baixa.

Contudo, esta crise tem características bem diferentes daquela de 2008. Se lá o mundo e os EUA em particular cresciam a taxas fortes, agora muito menos. Na média de 20 anos até 2007, o PIB global cresceu 3,19%, segundo o Banco Mundial. Na década anterior à crise financeira, a média foi maior, de 3,45%. No ano de 2007, o crescimento foi de 4,32%. Na crise do coronavírus, nos mesmos períodos de tempo, temos 2,94% (20 anos), 2,56% (dez anos) e 2,48% em 2019. Ou seja, o mundo entrou na crise já vivendo uma desaceleração importante. Isso minimiza em certo grau a dificuldade em se voltar para próximo da tendência pré-crise.

Outro ponto importante é observar quais os setores foram agora mais afetados vis-à-vis a crise de 2008. Lá, o sistema financeiro colapsou, com quebras de grandes bancos obstruindo os canais de crédito, o que fez os governos e os bancos centrais adentrarem uma era de estímulos quase ilimitados (o tal “novo normal”), com juros no piso zero (e algumas nações com taxas negativas) e programas de compras de ativos, que elevaram a liquidez e os balanços das autoridades monetárias a níveis recordes.

Agora, os setores diretamente mais abalados são os relacionados ao turismo, hospedagem e lazer, cuja produtividade (e o impacto nos demais segmentos) é muito menor em comparação com o sistema financeiro. Claro que empresas grandes, como as de aviação, sairão feridas. Mas outras serão alavancadas, como as de tecnologia – ainda mais com o trabalho remoto se tornando uma realidade global, compras on-line dando suporte à produção, entre outros fatores.

O fato é que há muitos desdobramentos possíveis, muitas incertezas, mas também algumas apostas fortes. A maior é que o cenário de alto endividamento dos governos pela demanda de apoio fiscal contínua vai perdurar. Segundo o IIF, a relação dívida/PIB global saltou mais de dez pontos no primeiro trimestre para um recorde de 331%, portanto, antes da pandemia. Em resposta a isso, as taxas de juros devem permanecer ultrabaixas para administrar o peso desta dívida e ancorar a recuperação.

Nesse cenário, as ações têm tudo para superar a renda fixa nos próximos períodos, ainda que haja riscos e a certeza de que em algum momento haverá correções importantes de níveis de preços dos ativos de risco.

Fonte: Valor Econômico

18/11/2020

Compartilhe...Email this to someoneShare on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this page