Experiência e Expertise:
É disso que sua empresa precisa na hora de se comunicar bem com o mercado.

  • Fornecimento de Conteúdo Editorial
  • Desenvolvimento de Projetos
  • Pesquisa de Mercado
  • Material Impresso
  • Campanhas Publicitárias
  • Criação de Identidade Visual

Crise na América Latina pode afetar exportações brasileiras, diz AEB

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) Foto: Leo Pinheiro – Valor

 

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, se disse preocupado com o cenário das exportações de manufaturados do Brasil, concentradas na América do Sul. Ele citou a crise da economia argentina desde 2017 e os recentes problemas políticos no Chile e na Bolívia, que podem afetar “de forma séria” os embarques do Brasil.

“As exportações para a Argentina caíram muito entre 2017 e 2019, uma queda de quase 50%. E este é um mercado que compra manufaturados. Nós não temos alternativas de outros mercados, então vivemos um problema crítico”, afirmou.

Segundo cálculos da AEB, entre 2017 e 2019 o Brasil teria deixado de exportar cerca de US$ 9 bilhões para a Argentina – sendo que esse montante teria potencial de gerar em torno de 400 mil empregos.

Questionado sobre a condução do governo brasileiro nas relações comerciais com a Argentina, Castro lembrou que o país vizinho é estratégico como mercado consumidor de manufaturados. Ele alertou que o mercado argentino, “se jogado fora, cairá no colo da China”.

Segundo Castro, o Brasil concentra suas exportações de produtos industrializados na América do Sul por não ter preços competitivos para exportar para EUA, Europa e Ásia.

Outro aspecto mencionado por ele são possíveis efeitos colaterais da guerra comercial entre Estados Unidos e China para os negócios de comércio exterior – tanto para o Brasil quanto para outros países latino-americanos.

“Com essa guerra comercial, houve queda na cotação das commodities e, por isso, esses países da América Latina reduzem a receita de exportação deles”, notou. As commodities ainda são preponderantes na composição das exportações brasileiras e latino-americanas.

Castro não descartou ainda que, com possibilidade de recuo de receita originada de exportação, os países latino-americanos, com recursos menores, também diminuam o ritmo de importações. “Então, nós, Brasil, seremos afetados diretamente pela questão das commodities e indiretamente com relação aos manufaturados que vendemos para a América do Sul”, afirmou.

Com relação a um eventual acordo comercial com a China, aventado pelo próprio ministro Paulo Guedes nas últimas semanas, Castro disse que, se isso avançar no curto prazo, significará o fim da indústria nacional.

“Daqui a dez anos, se fizermos o nosso dever de casa, a gente pode pensar em fechar acordo com a China. A China é um gigantesco importador de produtos manufaturados, mas não temos preço competitivo. Ela só importa o minério, petróleo e soja brasileiros. Só commodities. Ela que compra, não é o Brasil que vende”, alertou.

Castro deu as declarações a jornalistas durante Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), que acontece nesta quinta-feira e sexta-feira no Rio de Janeiro.

Virada

Para o presidente da AEB, os primeiros efeitos das reformas e acordos realizados pelo governo federal para o comércio exterior só serão sentidos em 2021, ano que ele vê como um ponto de inflexão para as exportações.

“A expectativa é que 2021 seja o ano da virada. Ano que vem é só uma continuação de 2019. As medidas que estão sendo aprovadas [reformas] só terão algum efeito prático em 2021. Antes disso não tem nada”, disse.

Para Castro, em que pese o possível prejuízo para as exportações brasileiras em razão da crise econômica na Argentina e os efeitos colaterais da guerra comercial entre China e Estados Unidos, os maiores problemas da economia brasileira são internos. Isso porque são ligados ao déficit de infraestrutura logística e à complexidade tributária — que acabam tornando alto o custo do produto brasileiro, deixando-o menos competitivo no comércio internacional.

“O Brasil não é um país caro, é um pais que está caro. O Custo Brasil ainda representa 30% dos custos do exportador. Os problemas da produtividade da economia ainda passam por infraestrutura, limitações do sistema financeiro e burocracia excessiva”, disse.

Ao falar especificamente sobre a reforma tributária, o representante dos exportadores disse que espera, ao menos, uma simplificação em 2021. “Hoje nós exportamos tributo e eu só quero exportar produto”, pontuou.

Castro atribuiu o fato de o Brasil participar de apenas 1,2% do comércio mundial à “atrofia” do mercado de manufaturados para exportação. Manufaturados normalmente têm preço maior do que commodities, ou seja, caso exportados, isso elevaria de forma mais significativa a receita do exportador.

“Somos fechados simplesmente porque não temos competências para exportar mais manufaturados. Sempre exportaremos commodities e isso é bom, mas exportar manufaturados é ainda melhor”, disse.

Fonte: Valor

21/11/2019

 

 

Compartilhe...Email this to someoneShare on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this page