Experiência e Expertise:
É disso que sua empresa precisa na hora de se comunicar bem com o mercado.

  • Fornecimento de Conteúdo Editorial
  • Desenvolvimento de Projetos
  • Pesquisa de Mercado
  • Material Impresso
  • Campanhas Publicitárias
  • Criação de Identidade Visual

Estrangeiro segue com pé atrás em relação ao Brasil

Mesmo com ofertas públicas na conta, fluxo de recursos externos para bolsa é um dos menores em 15 anos

Mesmo com ofertas públicas na conta, fluxo de recursos externos para bolsa é um dos menores em 15 anos

A forte presença do capital externo nas ofertas de ações neste ano está longe de indicar uma retomada da disposição desse investidor em ampliar a exposição ao mercado brasileiro. Os estrangeiros permanecem altamente seletivos na alocação de recursos em ativos brasileiros. A quantidade de dinheiro novo dedicada ao país ainda é muito pequena e esbarra no baixo apetite por risco.

Este ano, as novas ofertas de ações — duas iniciais (IPOs) e 17 subsequentes (follow-ons) — giraram R$ 53,8 bilhões, sendo que R$ 25 bilhões corresponderam a capital externo. Desse total adquirido por estrangeiros, R$ 14,1 bilhões — mais da metade da fatia deles, portanto — ficaram concentrados em só três empresas: dois follow-ons do IRB Brasil (um em fevereiro e um em julho), um da Petrobras e outro da BR Distribuidora.

Sozinha, as distribuições de papéis do IRB, uma empresa de base acionária internacional, concentraram uma fatia de estrangeiros de R$ 7 bilhões. Ou seja, o estrangeiro destinou seus recursos basicamente às velhas conhecidas — grandes companhias, de baixo risco e base acionária já bastante internacionalizada.

Já no mercado secundário, onde são negociadas ações já listadas, a saída do estrangeiro soma R$ 23,3 bilhões em 2019 até 9 de setembro. Considerando a entrada de R$ 25 bilhões do mercado primário, portanto, a exposição dessa classe de investidor a toda a bolsa está positiva em apenas R$ 1,8 bilhão no ano. Apesar de ainda estar na casa do bilhão, esta cifra é irrelevante, considerando o tamanho do mercado brasileiro.

Mesmo ainda no campo positivo, esse saldo é um dos menores desde, pelo menos, 2004. Isso quer dizer que as novas ofertas conseguiram amenizar o efeito do fluxo negativo para a bolsa este ano, mas não a ponto de colocar a participação do não residente nos patamares observados em momentos de entusiasmo. Nos últimos seis anos, as entradas de estrangeiros nos segmentos primário e secundário sempre ficaram em dois dígitos.

Brincadeira de ‘rouba monte’

Para Carlos Sequeira, chefe da área de ações do BTG Pactual, ofertas muito grandes e de empresas com base robusta de estrangeiros, como IRB e Petrobras, acabam fazendo com que eles se desfaçam das posições em bolsa para comprar os novos papéis — no geral, o investidor vê um prêmio a ser capturado entre a ação nova e a cotação na tela.

“Só que ele faz isso porque não tem dinheiro novo disponível, justamente porque o interesse é menor. Se o momento lá fora fosse outro, talvez ele não precisasse tomar esse tipo de decisão”, diz. “Mesmo que Brasil esteja melhor do que os outros emergentes, ele ainda é um emergente.”

O mercado secundário ainda passa por um intenso clima de cautela por causa da guerra comercial entre China e EUA e o medo de uma recessão global. Tanto é que a fotografia dos fluxos dos estrangeiros na bolsa hoje se assemelha justamente ao visto no auge da crise financeira global, em 2008.

Já no segmento primário, ainda parece haver mais espaço para algumas apostas. Mas, mesmo nesse caso, elas dependem dos ramos de atuação das empresas. Não é um investimento em Brasil, mas em oportunidades específicas, por ora.

“Estrangeiros procuram crescimento. Sem isso, o interesse é restrito”, diz Luciano Brandão, sócio responsável pela área de ações da BlueLine Asset Management. Para ele, uma demanda relevante do investidor num momento de reduzida liquidez mundial é por ativos de mais fácil negociação.

Nesse caso, a exposição a Brasil pode ser controlada via, por exemplo, os fundos negociados em bolsa (os ETFs) — em Nova York, o maior deles, ligado a Brasil, é o iShares MSCI Brazil, ou EWZ. “Com o juro no nível em que estamos vendo no país, acredito que o investidor local continuará sendo o grande protagonista do mercado.”

Sem crescimento, sem estrangeiro

Para André Rosenblit, responsável pela área de ações do Santander, as maiores oportunidades atuais estão nos setores elétrico e de saúde. Atrás do IRB, Petrobras e BR Distribuidora, outras ofertas de grande volume neste ano foram justamente o IPO da Neoenergia e o follow-on da CPFL. O estrangeiro, porém, só virá quando o Brasil tirar do papel o crescimento prometido, diz ele.

“A grande discussão que se faz lá fora é sobre o potencial de crescimento do Brasil. Eles não virão só pela reforma da Previdência ou a tributária, mas quando o crescimento der sinais mais fortes”, afirma. “O setor elétrico é algo que todo mundo precisa e utiliza, enquanto o setor de saúde está inserido em um país [Brasil] em que a população é expressiva e está envelhecendo. Investir em saúde em mercados emergentes é uma boa oportunidade. É o que pode atrair a demanda.”

Visão semelhante compartilha Gleidson Leite, gestor de renda variável da Western Asset no Brasil, para quem o primeiro grande teste de confiança — o andamento da reforma da Previdência — foi vencido. “Mas ainda não sabemos como as outras agendas positivas serão executadas. O governo não tem uma bala de prata para a questão do crescimento”, afirma.

Na ausência de um fluxo mais forte de dinheiro novo para ações pelas mãos dos estrangeiros, quem tem sustentado o Ibovespa, que retomou o patamar dos 100 mil pontos nas últimas semanas, é o investidor local. A participação dessa classe no volume da bolsa é a maior desde, pelo menos, 2012 — e o juro baixo no Brasil é o principal catalisador desse interesse.

Os investidores institucionais já colocaram R$ 20,6 bilhões no mercado secundário de ações neste ano e cerca de R$ 25 bilhões no mercado primário — a média de participação deles nas ofertas inicias e subsequentes é de 46%. No caso da pessoa física, a entrada é de R$ 9 bilhões para ações já listadas e uma parcela pequena, equivalente a 3% na média, para novas ações.

Fonte: ValorInveste

12/09/2019

 

Compartilhe...Email this to someoneShare on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this page