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Odebrecht fatura R$ 97 bi em 2013 e reverte prejuízo

O grupo Odebrecht registrou um lucro líquido de R$ 490,7 milhões em 2013, revertendo um prejuízo de R$ 1,5 bilhão obtido no ano anterior. A companhia, com origens na construção pesada, também alcançou a marca de R$ 96,9 bilhões de faturamento – 16% mais que em 2012 -, o que a mantém na disputa pelo posto de maior empresa privada não financeira do país, posição hoje ocupada pela mineradora Vale (com R$ 106,2 bilhões de receita bruta no ano passado). Os números são resultado de um agressivo ciclo de expansão iniciado nos últimos anos, que também ocasionou uma dívida recorde e forçou a organização a enfrentar desafios e riscos de novos mercados.

Marcela Drehmer, diretora financeira do grupo Odebrecht, defende que o ano passado marca o começo da consolidação de grande parte dos novos negócios da companhia. Nos últimos anos, as novas áreas de atuação – como energia e etanol – limitaram os números da organização ao demandar investimentos com baixa ou nenhuma geração própria de caixa. Somado a outros efeitos, esse fator contribuiu para o prejuízo bilionário em 2012.

Mas essa realidade está começando a mudar, defende Marcela, devido ao começo de operação de vários projetos das subsidiárias – como a Empresa Brasileira Terminais Portuários (Embraport), ativo da Odebrecht TransPort em Santos (SP). O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), item que a companhia defende ser o mais importante em seu negócio, subiu 41% na comparação anual, para R$ 11,4 bilhões em 2013. Sem contar a petroquímica Braskem e a área de Engenharia e Construção (com R$ 32,9 bilhões de faturamento), dois negócios já maduros, o Ebitda subiria ainda mais – 161%.

“Como qualquer investimento ‘greenfield’ [novo], leva-se um tempo [para haver resultados]. Mas o que a gente começa a ver agora é um crescimento expressivo da geração de caixa dos novos negócios, o que foi muito positivo para obtenção do lucro. Foi um ano que a gente conseguiu visualizar que a estratégia implementada caminhou na direção correta”, diz.

Por outro lado, a dívida bruta da companhia também alcançou seu recorde, com R$ 73,2 bilhões (29% mais que um ano antes). Tirando o caixa e as disponibilidades de R$ 20,8 bilhões, a dívida líquida ficou em R$ 52,4 bilhões – 26% maior que um ano antes. Ainda assim, a alavancagem (medida pela relação entre a dívida líquida e a medição de caixa do Ebitda) foi reduzida de 5,1 vezes em 2012 para 4,6 vezes em 2013. Segundo Marcela, a holding não tem compromisso com os credores para limitar a alavancagem.

A executiva financeira da Odebrecht acredita que boa parte dos ativos ainda está em crescimento, um processo que deve ser concluído até 2016. Enquanto aguarda a consolidação da maioria dos negócios, algumas subsidiárias têm causado preocupação para os executivos da organização. O principal caso é o da Odebrecht Agroindustrial, que atua na produção e comercialização de etanol, energia elétrica e açúcar. O prejuízo dessa controlada em 2013 foi de R$ 1,3 bilhão. “É um problema”, diz Marcela.

A companhia sofre, nesse mercado, com a retirada da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e com outras medidas do governo federal para controle do preço desse combustível – o que faz o etanol se tornar menos competitivo. A dívida total da Agroindustrial foi de R$ 11 bilhões em 2013, o que representa 15% do total do grupo.

“Você não acerta em todas. Mas, do ponto de vista estrutural, acho que vamos acertar na Agroindustrial. É uma questão de tempo, porque o etanol é necessário para a crise energética”, afirma Marcela. Ela diz que o grupo não cogita a saída do negócio “por enquanto”.

A petroquímica controlada Braskem, que é responsável hoje por praticamente metade do faturamento da Odebrecht, também tem seus desafios. Recentemente, a companhia sofreu com a variação cambial: foram R$ 732 milhões de prejuízo líquido ao fim de 2012 por parte da subsidiária. No ano seguinte, o cenário da Braskem mudou e a petroquímica teve lucro de R$ 507 milhões.

Apesar de não ser vista com preocupação na organização, outra controlada, a Odebrecht Ambiental – de saneamento e gestão de resíduos – teve perspectiva de nota classificada como negativa pela agência de classificação de risco Fitch. Para os analistas, houve frustração com a perspectiva de alavancagem da companhia para os próximos anos. A companhia tem pela frente um ciclo de investimentos combinado a uma geração de Ebitda para projetos recém-adquiridos “abaixo do esperado”, diz texto divulgado pela agência.

Para 2014, a expectativa é que o crescimento continue, mas a executiva não diz quanto. Até 2016, os investimentos serão de R$ 34 bilhões (em 2013, foram R$ 12,8 bilhões). O montante segue a linha do informado pelo diretor-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, recentemente ao Valor. Na previsão desses investimentos, contam os aportes de sócios em subsidiárias e em projetos e ainda os financiamentos. No número, estão computados projetos já aprovados e parte dos que ainda passarão por avaliação. “Mas será muito perto disso”, diz Marcela.

(Redação | Valor Econômico)

24/4/2014

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