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Rumo investe para captar novas cargas

 Julio Fontana, presidente da Rumo

Enquanto aguarda autorização para seu principal projeto estruturante – o investimento de R$ 5 bilhões em troca da prorrogação do contrato da Malha Paulista -, a Rumo põe em marcha uma série de investimentos para aumentar a captação de cargas a partir deste ano. Trata-se de um pacote de R$ 415 milhões que engloba desde um projeto para escoar fertilizantes entre Santos (SP) e Rondonópolis (MT) até o transporte ferroviário de contêineres empilhados.

A maior parte dos desembolsos integra a carteira de investimentos que a Rumo fará neste ano, de aproximadamente R$ 2 bilhões. Alguns aportes começaram em 2017, mas todos terão a maior parte de sua execução orçamentária neste ano. O restante do orçamento para 2018 será destinado à aquisição de vagões e locomotivas, melhorias na via permanente e ações para reduzir acidentes.

“Nossa perseguição é insana em realizar nosso plano de negócios”, afirmou o presidente da Rumo, Julio Fontana, ao conceder entrevista ao Valor em sua nova sede em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Desde 2015, a Rumo investiu mais da metade dos R$ 10,5 bilhões definidos para até 2020.

Nesse pacote, um dos principais projetos é o de fertilizantes, insumo fundamental do agronegócio, origem da principal carga transportada pela Rumo. Hoje, a companhia escoa fertilizante para o interior do Paraná a partir do desembarque no porto de Paranaguá. Agora, quer expandir e dar escala ao negócio pelo porto de Santos até Rondonópolis.

Trata-se de um projeto de R$ 200 milhões para levar a carga do cais santista para o interior do país. O fertilizante será descarregado no terminal portuário Termag, do qual a Rumo é acionista, e seguirá de ferrovia até um terminal em Rondonópolis. A instalação foi feita sob medida em parceria com a empresa JM Link para receber, armazenar e distribuir a carga na região do Centro-Oeste.

A estimativa é de que o “corredor do fertilizante Santos-Rondonópolis” atinja uma capacidade para 10 milhões de toneladas até 2023, caso as safras agrícolas continuem crescendo a um ritmo chinês. Mas nessa primeira etapa o projeto terá capacidade para 4 milhões de toneladas e começará a rodar na próxima semana.

“É um grande desafio, todo mundo achava que a gente não ia fazer, acho que o mercado começou a acreditar que nós não somos a turma do passado”, disse Fontana. A Rumo se fundiu à ALL, então maior empresa de transporte ferroviário do Brasil, em 2015.

Outro investimento é o da subida do farelo para Rondonópolis, orçado em R$ 100 milhões. Hoje, por limitação de capacidade, a Rumo transfere esse produto de Rondonópolis para Alto Araguaia, distantes mais de 200 quilômetros.

Com a ampliação de capacidade, a empresa terá condições de voltar com 4 milhões de toneladas de farelo por ano de Alto Araguaia até Rondonópolis. Isso gera eficiência operacional, uma vez que o farelo não precisará ser transportado em caminhão entre as duas cidades. O terminal de Alto Araguaia receberá R$ 13 milhões.

Um terceiro projeto, que não fazia parte do plano de negócios, é o transporte de contêineres, feito pela controlada Brado. O investimento é de R$ 85 milhões e a carga será transportada em contêineres empilhados (double stack) no trajeto, ida e volta. De Campinas a Rondonópolis não tem túnel na ferrovia, mas cerca de 15 interferências. A Rumo está retirando todas elas para essa operação e comprou o primeiro lote de vagões.

“É um projeto que ganha dimensão muito importante dentro do nosso negócio e diminui nossa dependência do grão” disse o executivo. A Brado representa hoje de 4% a 5% do volume total transportado pela Rumo. A estimativa é que triplique em cinco anos, para 15%.

A Rumo vai também reativar o terminal de Chapadão do Sul (MS). Com aporte de R$ 17 milhões, a instalação deve movimentar neste ano até 2 milhões de toneladas. A meta é atrair carga nova no estado.

Fora isso, a Rumo segue na expectativa da assinatura do aditivo para prorrogar antecipadamente o contrato da Malha Paulista, que, conectada à Malha Norte, liga Rondonópolis ao porto de Santos, onde a empresa opera terminais. Essa trinca de ativos constitui o principal corredor ferroportuário do agronegócio do país.

A Rumo apresentou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o pleito de prorrogação antecipada por mais 30 anos em 2015. É o primeiro caso de renovação de concessão ferroviária. Com a alta demanda de projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), uma consultoria está auxiliando a ANTT nas análises. “A ANTT fez um cronograma que aponta a finalização desses estudos para início de junho. Aí entregaria tudo ao TCU”, disse Fontana.

Após um aumento de capital de R$ 2,6 bilhões em outubro, a Rumo equacionou seu perfil financeiro e reforçou a liquidez. Trouxe a alavancagem para 2,6 vezes (relação dívida líquida/Ebitda). Com isso, em janeiro fez nova emissão de bonds, de US$ 500 milhões, a um custo inferior à de outra realizada um ano atrás. “Nosso objetivo é chegar a 2 vezes”, afirmou Fontana.

Fonte: Valor Econômico

11/04/2018

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