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SIMEFRE apresenta balanço dos mercados de motos, bicicletas, implementos rodoviários, ônibus e setor metroferroviário

Da esq. para direita – Jurandir Fernandes, Jean Pejo, Baleia Rossi, J.A.F.Martins, Deputado General Peternelli, Dep. Mauro Pereira

Da esq. para direita – Jurandir Fernandes, Jean Pejo, Baleia Rossi, J.A.F.Martins, Deputado General Peternelli, Dep. Mauro Pereira

 

O SIMEFRE -  Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários promoveu no último dia 29/11 o Encontro Anual da Entidade. Na oportunidade os vice-presidentes do SIMEFRE, fizeram um balanço do desempenho e resultado econômico dos setores industriais filiados e das perspectivas para 2019.

Veja abaixo a análise de cada um dos setores:

Alcides Braga e o presidente do Simefre José Martins

Alcides Braga e o presidente do Simefre José Martins

IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS: crescimento no setor de implementos deverá Ser de dois dígitos

Os números do mercado de implementos rodoviários ficaram acima das expectativas. A afirmação é do vice-presidente do SIMEFRE, Alcides Braga. Ele explica que embora ainda abaixo dos números de 2012/2013, é um bom sinal de recuperação da economia. “Devemos fechar o ano com 115 mil unidades emplacadas, um crescimento de 25% sobre o ano de 2018. Estamos otimistas para 2020 e projetamos um crescimento de dois dígitos, atingindo a recuperação do mercado que tínhamos nos anos anteriores à crise de 2014 a 2017.”

Braga comenta que a estimativa é que haja equilíbrio entre os dois segmentos porque o mercado de transporte de mercadoria nas cidades ainda não reagiu com força. As exportações oscilam conforme a situação de cada mercado. Como a indústria de implementos rodoviários está presente em praticamente todos os países da América Latina, além de África e Oriente Médio, as variações são grandes. Mas as ações empreendidas no programa MoveBrazil, mantido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), tem aberto diversas oportunidades que resultarão em novos negócios para o setor.

A expectativa é que a indústria deve terminar o ano com resultado positivo de 25% sobre 2018. Mas não se trata de crescimento e sim de recuperação de perdas. “O segmento pesado já está em um patamar próximo do histórico, todavia a linha leve, que andou de lado esses anos, tem potencial de crescimento percentual maior, pois reage ao crescimento do PIB e do emprego.”

O vice-presidente do SIMEFRE lembra que o negócios ligados ao setor agro foram fundamentais para essa recuperação. “Os governos que decidem fazer reformas precisam de mais tempo para serem avaliados. A economia tem reagido de forma gradual ajudando na consolidação da recuperação. Toda queda é rápida enquanto o crescimento é sempre mais lento.”

Braga acredita que o agronegócio e a construção civil serão dínamos do segmento para o próximo ano. Atualmente a indústria responde por 45 mil postos de trabalho. Há três anos eram 38 mil.

ÔNIBUS: números confirmam recuperação do setor

O cenário político e econômico desenhado ao final de 2018 com a eleição de um novo presidente, se por um lado dava certo ânimo ao mercado em geral, também trazia na bagagem algumas inseguranças quanto ao mercado de carrocerias de ônibus. “Esperava-se um crescimento já nos primeiros meses de governo o que se confirmou”, assegura o diretor do SIMEFRE, Ruben Bisi.

Segundo ele, no acumulado de Janeiro a Outubro de 2019 se produziu 10,7% mais carrocerias para ônibus frente ao mesmo período de 2018. A produção para o mercado de exportação teve um decréscimo de 19,9% nesse período, mas foi a demanda do mercado interno que respondeu por boa parte deste crescimento com 21,8% de incremento. Considerando o mercado interno, em termos de segmentos específicos os urbanos tiveram um incremento de 3019 unidades e 46,9% frente ao ano anterior. Rodoviários tiveram incremento de 7,4%, intermunicipais decréscimo de 10,5% e micros decréscimo de 13,3% no período.

Para o último trimestre o mercado interno se mostra promissor. “Houve um crescimento no mês de outubro quando comparado o período com 2018, de 23,4% e extrapolando-se a média para o último bimestre poderia se chegar a uma produção total de 22000 a 23000 carrocerias. Considerando as 20.400 unidades produzidas no ano passado, teríamos um incremento próximo a 10%”, comenta o diretor.

Havia uma previsão conservadora de que se fabricasse próximo de 18.500 unidades. O cenário na verdade deve ser superado em mais de 3.500 unidades. “Esse número poderia ser incrementado ainda mais caso projetos como o Caminho da Escola do FNDE tivesse maior destinação de recursos pelo governo Federal e se tivesse mais celeridade nas definições e na publicação do Decreto Presidencial nº 10.014/2019 que definiu o prazo para implantação da acessibilidade nos ônibus de fretamento e turismo”.

As expectativas positivas também estão na projeção para o próximo ano. “Os macro indicadores econômicos são favoráveis ao crescimento econômico para o ano de 2020. O PIB tende a crescer acima de 2%, inflação e juros seguem sob controle com tendência de queda para este último ainda no final de 2019. Em termos do segmento de ônibus deve haver um incremento de aproximadamente 1000 unidades entre esses dois segmentos no ano de 2020.”

Essas unidades, ressalta o diretor, deverão vir principalmente do segmento de fretamento que segue com vendas represadas e dos urbanos por conta das renovações de frota e também das eleições municipais. A exportação também deve contribuir nesse segmento com operações já em andamento para alguns mercados.

Vale ressaltar, no entanto, alguns pontos de atenção que podem mudar esse cenário. “Alguns deles são a volta da obrigação do uso do elevador em unidades rodoviárias destinadas ao fretamento/turismo, a aplicação compulsória de novos requisitos técnicos e de segurança que afetam o peso e a quantidade de lugares ofertados e consequentemente o aumento do custo do veículo, a desregulamentação do transporte rodoviário de passageiros nas linhas interestaduais e internacionais e movimentos sociais em países da América do Sul como Chile, Equador e Bolívia, como também a Argentina que até o momento não está comprando como era de costume. Todos estes pontos, em maior ou menor intensidade podem afetar as previsões para 2020 destes dois segmentos”.

Apesar da maior diversidade de mercados para os quais o Brasil exporta hoje, a América do Sul, América Central e Caribe ainda são os endereços da maior parte de nossas exportações. Com isso, os recentes movimentos sociais e políticos no Chile, Equador, Bolívia e Argentina devem afetar o resultado final de veículos comercializados ao exterior em 2019. “Se em 2018 levamos a outros mercados em torno de 5.600 unidades, este ano devemos fechar o resultado final entre 4.200 a 4300 unidades com redução em torno de 25%.”

Bisi alerta que o segmento escolar é um mercado que vem se mantendo graças ao Programa do Caminho da Escola do FNDE, mas o governo vem sinalizando que haverá redução de verbas para o Programa. Este tem sido fundamental e responsável por mais de 11/% do volume total de veículos produzidos nos últimos 5 anos, incluindo 2018. Para 2019 essa mesma média deverá ser mantida com as previsões de compra através das adesões das prefeituras.

O mercado de Turismo que segue também a mesma situação do mercado de Fretamento não teve o desempenho conforme as expectativas, que tiveram suas vendas represadas em função da demora nas definições e da publicação do Decreto nº 10.014/2019 sobre a acessibilidade aplicada ao fretamento e turismo.

Como não poderia deixar de ser, o setor de ônibus também não ficou incólume aos reflexos da crise. Se considerarmos os números absolutos ao acumulado no mês de outubro de 2018, o número de empregos reduziu 1,1% em comparação ao mês de outubro de 2019. Entretanto, se não fossem algumas ações setoriais como, por exemplo, à manutenção dos Editais de Licitação do governo o reflexo seria ainda mais negativo, acredita o diretor do SIMEFRE.

Apesar das tratativas com os órgãos envolvidos visando melhorar o acesso ao crédito, o setor ainda carece de melhores taxas de juros do BNDES que inclusive estão defasadas em relação às demais instituições financeiras que disponibilizam o CDC, além de reduzir a burocracia e as garantias exigidas pelos bancos. Esses são fatores que tem impactado negativamente e dificultado as novas aquisições e precisam melhorar bastante para atrair novos investimentos nas aquisições de veículos. Para exportação e nas operações que dependem de produtos prontos como Exim Automático funciona bem e é flexível e com taxas competitivas as exportações, contudo para operações que demandem projetos grandes e estruturados (licitações) ainda existe muita burocracia que inviabilizam o fechamento das operações, fazendo com que os clientes necessitem buscar/optar por um crédito privado.

Apesar de já haver uma previsão e otimismo para o aumento do PIB em 2020 ainda assim existem algumas incertezas que podem afetar as previsões projetadas para o próximo ano, tais como:

- Publicação da Resolução nº 71/2019 do PPI da Casa Civil sobre desregulamentação do transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;

- Destinação de Verbas para caminho da Escola do Ministério da Educação;

- Eleições Municipais, tarifas políticas e compras antecipadas;

- Regulamentação dos aplicativos como Uber Juntos/Buser e outros;

- Financiamento do BNDES a taxas de mercado;

- Exigências compulsórias por conta da introdução de novos requisitos técnicos e de segurança nos ônibus rodoviários que afetam o peso e a quantidade de lugares ofertados, além do custo desses veículos.

Todas essas questões poderão desencadear efeitos não desejados e impactar nas projeções para o próximo ano, finaliza.

MOTOCICLETAS: setor cresce mais de 6% em 2019

Auro Levorin e Hilário Kobayashi

Auro Levorin e Hilário Kobayashi

O ano de 2019 foi considerado de evolução no mercado nacional de motocicletas. Segundo o diretor do SIMEFRE, Hilário Kobayashi, as vendas diárias* foram superiores a 4.200 unidades, o que determinou o aumento da produção no Polo Industrial de Manaus – PIM, onde estão instaladas as fabricantes que atendem a 98% do mercado, a saber: BMW, Dafra, Ducati, Harley-Davidson, Honda, JTZ, Kawasaki, Suzuki, Triumph e Yamaha.

No total, estas fábricas devem fechar 2019 com a produção de 1.105.000 unidades, correspondendo a um crescimento de 6,6% sobre 2018 (1.036.788 unidades). As vendas no varejo fecharão em algo como 1.043.000 unidades, crescendo 10,9% sobre 2018 (940.108 unidades), enquanto as exportações cairão 40,5%, passando de 57.131 unidades (2018) para aproximadamente 34.000 unidades (2019).

O diretor explica que a oferta de crédito continua a ser o principal motivo para o crescimento, graças ao aumento de financiamentos não só dos bancos de montadoras, como também de instituições financeiras de grande porte e até mesmo de “bancos digitais”. No acumulado de janeiro a outubro do presente ano, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) gerou a 43,3% dos negócios com motocicletas, ante 41% registrados no mesmo período de 2018.

“Até mesmo a tradicional venda à vista está ganhando inovações surpreendentes, que atraem mais consumidores para o mercado de motocicletas. Há concessionárias realizando vendas à vista pelo cartão de crédito, que podem ser parceladas em até 24 meses, ou seja, trata-se de uma autêntica “venda à vista parcelada”!”

Este cenário, aliado a taxas de juros mais atrativas, fez com que muitos consumidores trocassem suas motocicletas por modelos 0 km. “O que se observa é a motocicleta sendo utilizada cada vez mais como alternativa para a mobilidade flexível, econômica e eficiente nas cidades brasileiras, além de possibilitar a geração de renda para seu condutor.”

Kobayashi acredita que o mercado siga aquecido até o final do ano, em função de fatores sazonais, como o pagamento do 13º salário e a chegada do verão, além do lançamento de novos modelos durante do Salão Duas Rodas, que aconteceu entre 19 a 24 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo (SP). “O Salão é o principal evento do Setor de Duas Rodas e costuma receber cerca de 250 mil visitantes, atraindo compradores entusiastas, que sempre aguardam pelas novidades e querem experimentar e adquirir uma motocicleta nova.”

A categoria que apresentou a maior variação positiva em 2019 foi a de motocicletas de alta cilindrada, embora o volume em números absolutos seja bastante baixo. Entre as motos acima de 800 cilindradas, a evolução chegou a 24,7% na comparação com o ano anterior.

As exportações sentiram o impacto da crise econômica na Argentina, historicamente o principal destino das exportações nacionais. A queda, que começou a ser sentida em 2018, foi ainda mais acentuada em 2019. No acumulado de janeiro a outubro de 2019 foram exportadas 32.284 motocicletas no total pelo Brasil, ante 61.491 unidades em 2018, o que significou uma queda de 47,5%. Os principais destinos das exportações atualmente são: Argentina (47%), Estados Unidos (19,2%), Colômbia (13,8%), Canadá (6,3%) e Austrália (5,5%).

Como os maiores players globais já têm fábricas instaladas no Brasil, todos no Polo Industrial de Manaus, as importações na prática são mínimas, ficando em 1% do total de motocicletas comercializadas no País. No acumulado de janeiro a outubro, as importações totalizaram 10.911 unidades, correspondendo a um crescimento de 33,8% em relação a igual período de 2018 (8.153 unidades).

A empregabilidade no Setor de Duas Rodas cresceu 4,5% em 2019, em comparação com o fechamento de 2018, chegando atualmente a 13,1 mil trabalhadores diretos no Polo Industrial de Manaus. Considerando-se os colaboradores de fornecedores e concessionários, os empregos indiretos envolvem 360 mil trabalhadores distribuídos pelo Brasil.

Em relação à expectativa com o novo governo, o diretor do SIMEFRE explica que como a maioria das ações e políticas relacionadas à economia e à produção industrial ainda se encontram em elaboração, discussão ou implementação inicial, fica difícil uma avaliação correta neste momento. “O que se observa, no entanto, é um aumento contínuo da demanda por motocicletas no mercado nacional e isso, certamente, reflete um desejo de compra que anteriormente era resolvido por meio do veículo usado e que agora, pela disponibilidade de crédito, voltou-se também para o mercado de motos novas.”

Ele acredita em uma tendência de crescimento dos negócios com motocicletas no Brasil, principalmente se levarmos em conta a relação de 8 habitantes por motocicleta no país. “Na Itália esta relação é de 7 para uma. Na Ásia, há países com relação de 5 para uma, como a Indonésia, e até mesmo 4 habitantes por moto, que é o caso da Tailândia, e, ainda, 3 habitantes por motocicleta, como o Vietnã. Portanto, ainda temos muito espaço e habitantes suficientes para ampliar a frota brasileira de motocicletas, que hoje corresponde a somente 27% da total de veículos automotores.”

BICICLETAS: setor projeta crescimento acelerado

Hilário Kobayashi e Cyro Gazola

Hilário Kobayashi e Cyro Gazola

Depois de quatro anos de declínio, as fabricantes de bicicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus – PIM produziram 773.641 unidades em 2018, volume 15,9% superior ao registrado no ano anterior (667.363 unidades). Esse resultado, destaca o vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviário e Rodoviários (SIMEFRE), Cyro Gazola, levou o segmento a projetar um crescimento de 10,8% na produção de 2019, devendo chegar a 857.000 unidades.

O desempenho das vendas manteve seu ritmo de crescimento em função da maior oferta de produtos, preços mais competitivos, redução do índice de inadimplência dos consumidores, maior oferta de crédito pelas instituições financeiras e expansão da mobilidade urbana, com destaque para a ampliação das redes de ciclovias, ciclo-faixas e ciclo-rotas nas cidades brasileiras.

Gazola explica que em relação à mobilidade urbana, os patinetes surgiram para auxiliar nos deslocamentos em curtos trajetos, caracterizando o que se passou a denominar como “micromobilidade”. “A bicicleta, no entanto, também é uma opção para os curtos trajetos em cidades com infraestrutura adequada.  Atualmente, empresas de compartilhamento atendem a população nas duas modalidades e, com isso, pode-se afirmar que ambas as opções auxiliam na mobilidade urbana de acordo com a necessidade de cada usuário.”

Diferentemente do patinete, a bicicleta também é utilizada como opção para a prática esportiva, transporte de mercadorias e lazer. Como se observa, em vez de competirem entre si, os dois modais se complementam para melhorar as condições de mobilidade urbana, ressalta Gazola.

Três fatores foram decisivos para a evolução do mercado nacional de bicicletas em 2019: o aumento da oferta de crédito pelo varejo, o crescimento da malha cicloviária nas médias e grandes cidades brasileiras e a percepção, pelo consumidor, da aplicação de tecnologia de ponta e alta qualidade nas bicicletas produzidas no PIM, que utilizam materiais nobres e mais leves, como alumínio e fibra de carbono, garantindo, com isso, mais conforto, segurança e eficiência em seu uso diário, a preços mais acessíveis.

Podem ser considerados, ainda, outros dois aspectos de relevância para o mercado nacional de bicicletas: a incerteza política impactando a desvalorização cambial e as decisões de futuras importações e a migração de algumas empresas para o modelo de montagem de CKD no Brasil.

O setor tem registrado aumentos de produção desde o segundo semestre de 2018 e para o presente ano, conforme já foi relatado, as projeções são otimistas. No acumulado de janeiro a outubro do presente ano foram fabricadas 820.040 bicicletas no PIM, volume 22,7% maior ante as 668.058 unidades registradas no mesmo período de 2018. O volume atingido já superou a produção total de 2018 (773.641 unidades) e está muito próximo da projeção anual da entidade, que é de produzir 857 mil unidades no PIM em 2019.

Ainda no acumulado do ano, com 379.081 unidades e 46,2% de participação no mercado, a Mountain Bike (MTB) foi a categoria mais produzida. Na sequência, vieram Urbana (310.010 unidades e 37,8% de participação), Infanto-Juvenil (120.841 unidades e 14,7%), Estrada (7.600 unidades e 0,9%) e Elétrica (2.508 unidades e 0,3%).

Pelos dados do portal de estatísticas de comércio exterior ComexStat, no acumulado de janeiro a outubro, a importação de bicicletas em todo o território nacional atingiu 53.009 unidades, correspondendo a uma queda de 43,9% na comparação com o mesmo período do ano passado (94.492 unidades). A China é a líder nesse ranking (38.085 unidades e 71,8% de participação), seguida por Taiwan (8.669 unidades e 16,4%) e Portugal (2.211 unidades e 4,2%).

O ComexStat também registrou que as exportações realizadas por empresas de todo o território nacional atingiram 10.638 unidades naquele período, significando uma alta de 6,6% na comparação com o mesmo período de 2018 (9.982 unidades). A Argentina representou o maior parceiro comercial com 3.868 unidades e 36,4% de participação. Na sequência, vieram Chile (2.679 unidades e 25,2%) e Paraguai (2.309 unidades e 21,7%).

Atualmente, o setor gera aproximadamente 1,2 mil empregos diretos no Polo Industrial de Manaus (PIM) e mais de 3,5 mil indiretos. É preciso considerar, ainda, que as fabricantes de bicicletas instaladas no PIM investirão mais R$ 40 milhões no País nos próximos dois anos.

Este novo investimento se soma aos R$ 200 milhões já aplicados pelas fabricantes nos últimos cincos anos, totalizando aproximadamente R$ 250 milhões em uma década. “Como o novo aporte será destinado a inovações tecnológicas, capacitação profissional e desenvolvimento de novos produtos de médio e alto valor agregado, ocorrerá naturalmente uma expansão contínua no quadro de colaboradores”, comenta.

Como a maioria das ações e políticas relacionadas à economia e à produção industrial ainda se encontram em elaboração, discussão ou implementação inicial, torna-se muito difícil uma avaliação correta neste momento. O que se observa, no entanto, é o aumento constante da demanda por bicicletas de médio e alto valor agregado, que correspondem à produção predominante no PIM.

A produção das fabricantes de bicicletas instaladas no PIM atingiu 116.301 unidades em outubro, significando o melhor resultado para o mês desde 2011 (91.487 unidades). Com isso, a região consolida sua posição como o maior centro gerador de bicicletas entre todos os países do Ocidente, ficando atrás apenas da concentração fabril que ocorre no Sudeste Asiático.

O recorde entre todos os meses de outubro da presente década reflete o acentuado crescimento da demanda nacional pelas bicicletas de médio e alto valor agregado fabricadas no PIM e, para atender a essa forte demanda dos ciclistas brasileiros, as fabricantes estão ampliando e qualificando ainda mais a produção. “É esperada nova evolução da produção para 2020, com as fabricantes mostrando-se dispostas a aproximar seus volumes totais até os números mais próximos da faixa de 1 milhão de unidades por ano”, finaliza.

PARTES E PEÇAS PARA VEÍCULOS DE DUAS RODAS: setor retoma o crescimento

Peças de Bicicletas – Acompanhando o crescimento de 10% nas vendas de bicicletas, na comparação com o mesmo período de 2018, o setor de partes e peças também cresceu – 9,5%. Segundo o diretor do SIMEFRE , Auro Levorin, o resultado é uma evolução consistente desde a forte queda após a crise de 2014.

Apesar do número positivo, Levorin comenta que a indústria nacional não capturou todo este crescimento, pois parte dele foi direcionado para os produtos importados que tiveram expressivo crescimento.

Para 2020 as expectativas são boas, assegura o diretor do SIMEFRE, que leva em conta as previsões de avanço da economia, levantando a demanda de bicicletas, desta vez de forma constante.  “Esperamos ver a continuidade da tendência de crescimento verificada este ano. Já a participação da indústria nacional neste crescimento tende a ser menor, em função que boa parte deste desempenho ser capturado pelas importações.”

As importações cresceram 11% sobre o ano anterior mostrando uma reversão da tendência de queda observada após a crise. “Isto é, com a melhora das condições econômicas e da confiança do consumidor associada a relativa estabilidade do câmbio, o importador voltou às compras.”

Levorin comenta que o mercado continua com participação ínfima no consumo internacional, o que já se tornou crônico em função da extensão da ausência por muitos anos nesse mercado, causada principalmente pela baixa capacidade dos fabricantes nacionais de competir.

O crescimento da produção e principalmente o crescimento na venda no varejo de motocicletas, adicionada à melhoria da atividade econômica, deverá fazer com que o mercado de partes e peças de motos, chegue a crescer 8,5% sobre o ano anterior. “O impacto para a indústria nacional neste caso foi bem positivo, pois houve uma queda nas importações o que significa um aumento ainda maior de participação para a indústria nacional que absorveu parte da participação das importações.”

Peças de Motos: a expectativa é de crescimento, como nas bicicletas, porém com a diferença na participação da indústria nacional de partes e peças de motos, já que essa tem conseguido substituir as importações.

As importações foram reduzidas em cerca de 10% sobre o ano anterior, fruto principalmente do trabalho na Certificação para os kits de transmissão, realizado com a participação do SIMEFRE, ação que coibiu boa parte das importações desleais que ainda afligem a indústria nacional. Os preços continuam subindo o que denota uma melhoria na qualidade dos produtos.

Quanto ao mercado de bicicletas de aluguel, há um crescimento dessa modalidade, que na realidade estimula o consumo de bicicletas e por consequência de partes e peças, dando alternativa ao usuário e desta maneira incentivando seu uso.

O SIMEFRE tem trabalhado na Certificação de produtos e atuado junto à receita Federal para coibir a concorrência desleal. “Teve também uma atuação importante no Acordo Mercosul/União Europeia, conseguindo desgravações e prazos para produtos sensíveis em nosso setor.”

No segmento de Bicicletas o SIMEFRE tem atuado na elaboração de Normas junto à ABNT, para bicicleta de uso infantil e no âmbito Mercosul para o Regulamento Técnico. Também na elaboração da Norma para Bicicleta elétrica, e junto ao INMETRO no Novo Regulamento Técnico para Produtos Certificados.

SETOR METROFERROVIÁRIO:  indústria bate recorde de ociosidade e busca volta ao crescimento

Massimo Giaviana e Vicente Abate

Massimo Giaviana e Vicente Abate

Pelas previsões feitas ao final de 2018, acreditava-se que os baixos volumes de entregas de vagões de carga, locomotivas e carros de passageiros em 2019 seriam os menores dos últimos 10 a 12 anos. Consideradas as entregas realizadas até outubro, as previsões se confirmaram, com a agravante de que os volumes serão ainda menores que os previstos.

Segundo Vicente Abate, diretor do SIMEFRE e presidente da ABIFER (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), o volume de vagões de carga a ser entregue em 2019 deverá situar-se abaixo das mil unidades (contra 2.566 vagões em 2018). Serão apenas 34 locomotivas (contra 64 em 2018), cinco exportadas para o Chile. E 104 carros de passageiros (contra 312 carros em 2018), sendo 80 também para o Chile. “A ociosidade da indústria ferroviária encontra-se perto de dramáticos 90%, com poucas possibilidades de ser melhorada no curto prazo”, informa Abate.

Na área de passageiros, a indústria completou seis anos sem qualquer encomenda significativa no mercado doméstico (foram apenas 48 carros fabricados no Brasil para a SuperVia, além de 64 importados pela CPTM), sobrevivendo hoje de algumas exportações. “Espera-se, entretanto, que a encomenda dos equipamentos para a Linha 17 – Ouro do Metrô SP, recém-licitados, seja confirmada para a indústria nacional”, pontua Massimo Giavina, vice-presidente do SIMEFRE e membro do Conselho da ABIFER.

O lançamento do RETREM pelo MDR – Ministério do Desenvolvimento Regional, em junho passado, trouxe um alento para os fabricantes de carros de passageiros, na esperança de que as concessionárias viessem a adquirir novas frotas ou modernizar as frotas atuais, o que não se concretizou pela falta de previsão em seus orçamentos. “Para 2020 aguardam-se as licitações para 34 trens da CPTM e 44 trens do Metrô SP. Importante salientar a luta do nosso setor por isonomia tributária entre trens nacionais e importados. Estados têm aplicado a imunidade tributária na importação, levando a uma concorrência injusta com o produto nacional, suprimindo empregos e renda no Brasil. Estão preterindo o nacional, com ampla base instalada, de melhor qualidade e mão de obra qualificada, em favor do estrangeiro, de pior qualidade e inexistência de assistência técnica ou materiais de reposição”, avalia Giavina.

Já na área de carga, o TCU – Tribunal de Contas da União aprovou, em reunião plenária de 27 de novembro, o Acórdão para a renovação antecipada da Rumo Malha Paulista, que se tornará paradigma para as demais concessões. “Com isso, o volume de vagões poderá se elevar para cerca de 2 mil unidades em 2020. As locomotivas, porém, continuarão com volume baixo, de apenas 40 unidades. A quantidade de carros de passageiros será de somente 126 unidades, sendo quase 70% delas destinadas para exportação ao Chile”, informa Abate.

O ano de 2020 será, sob todos os aspectos, um divisor de águas para a indústria ferroviária nacional, com a realização de volumes maiores de veículos, componentes e materiais para via permanente, a partir de 2021/22. “Acreditamos e confiamos na aprovação de todas as renovações antecipadas, nas expansões das vias ferroviárias de carga e de passageiros e no bom senso das autoridades de governo em preservar a indústria ferroviária instalada no País, sob pena de continuarmos a operação de desmonte desta importante indústria, com perda ainda maior de mão de obra qualificada”, conclui Abate.

Fonte: Imprensa Simefre

02/12/2019

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